sexta-feira, outubro 20, 2006

Traídos pela fantasia

Traídos pela fantasia
Hoje, vindo para o trabalho, percebi que havia uma nova bundelo (modelo de bunda) de papelão, ilustrando as bancas de jornais. Sim, porque, por essas terras, chamariz de banca e de capa de jornal é mulher pelada.

Já repararam que, quando aberto numa banca, o jornal visto de longe, pode-se encontrar dificuldade em ler as manchetes, mas jamais em ver a bunda da beldade do dia? Pois é. Só que, recentemente, uma bunda que estampou durante muito tempo os jornais e revistas masculinos, Thammy, filha da bem conhecida nossa, a requebradeira Gretchen, deixou boquiabertos não só homens, mas também mulheres, ao reaparecer bem menos feminina que antes e de namorada nova.

Nada contra a opção sexual da moça. Sejamos felizes! Assumamos nossa sexualidade e aproveitemos, com responsabilidade! Acontece que a desertora do clube do popozão empinado esfarelou as fantasias de muito marmanjo babão. Ao ressurgir numa versão um tanto quanto masculinizada, aos beijos com sua namoradinha, Thammy jogou a pá de cal nos delírios oníricos da cuecada de plantão, que a idealizava (assim como a tantas outras), imaginando atividades sensuais exercidas por aquelas protuberâncias, curvas e orifícios. Orifícios polêmicos, aliás, já que a bela jurou de pé junto ser virgem na ocasião de seu primeiro ensaio.

Pois bem, marmanjada. Aquela exuberância tão adorada se esvaiu, e da fruta que vocês gostam, ela chupa (epa!) até o caroço! Então, meninos, abandonem a ingenuidade e aprendam a enxergar a beleza da mulher real. Algo palpável, mas não menos interessante e belo. Aquele olhar de cumplicidade, aquele jeito charmoso de falar, de pôr o cabelo atrás da orelha, aquele sorriso espontâneo, aquela conversa engraçada. Uma pessoa inteligente e bem humorada pode se tornar a mais linda do universo.

Já diz o sábio cronista Jabor que prefere a mulher real, misteriosa e sexy, com uma barriguinha que seja, mas carinhosa, brincalhona, a uma milimetricamente planejada e torneada criatura, sem conteúdo, ou nervosamente preocupada com o penteado, na hora do "vamo vê". A Juliana Paes não nasceu assim do jeitinho como vocês a conhecem. Não acreditam? Então é porque perderam a edição de dois meses atrás de uma dessas revistas populares e baratinhas de fofoca, que trazia na capa a manchete: "Elas também foram feias", e cuja matéria trazia o "antes e depois" de musas como a própria Juliana e Adriane Galisteu.

Em primeiro lugar: o objetivo primeiro da revista seria dizer que, com os milagres da medicina estética, só é feio que quer (ou é pobre). Mas releiam o título: "Elas também foram feias". Péra lá! A revista está sugerindo que suas leitoras estariam meio prejudicadas ? Quer dizer que, se eu não tenho peito siliconado, bunda malhada e cintura lipoesculpida eu também sou feia??!!

Francamente, mulheres! Recusem-se a aceitar isso, assim, gratuitamente! É claro que fazer ginástica para manter-se em forma, saudável, e até bonita mesmo é uma atitude positiva, louvável. Mas não vamos nos jogar na mesa de cirurgia, na primeira (ou segunda, terceira, que seja) celulite que aparece. Tampouco, engulam esse discurso machista, de quem espera que sejamos protagonistas de filmes pornôs!

Lembrem que a lipoaspiração custou a saúde de famosos, como Cláudia Liz e Marcos Mena (vocalista do LS Jack), que ficou com seqüelas. Sejamos mais prudentes com nossos corpos, nossas mentes e nossos sistemas nervosos. Numa sociedade em que as mulheres conquistam cada vez mais espaços, não sucumbamos às neuras masculinas. Plásticas, só se forem imprescindíveis para as nossas autoimagem e autoestima. Nada mal em agradar nossos parceiros queridos, mas com cuidado! Antes de tudo, agradem a si mesmas!

Assim sendo, lanço a campanha: "Academia, dieta, intervenções plásticas: aproveite com moderação !"

Um comentário:

Anderson disse...

Adorei seu texto Aline, é bem uma cronica, ao mesmo que uma critica,bacana.