sexta-feira, outubro 20, 2006

Uma questão de alívio

Devia ser proibido homem urinar na rua! Ontem, quando voltava do trabalho de ônibus, estava eu mergulhada em meus pensamentos, até que uma imagem pela janela me despertou, entre o asco e a indignação: um cidadão, após estacionar seu carro, tranqüilamente, lança pinguilin ao vento e começa a urinar, ali, em plena Avenida Brasil, sem se preocupar em se esconder atrás de uma árvore, poste, ou muro, e nem com a platéia de milhares de ocupantes dos veículos que por ali passavam. E, pior, quando estava plenamente aliviado, ainda sacudiu o dito cujo!

Alguns dirão: “mas isso é tão comum!”, “é normal hoje em dia”. É, mas não devia ser. Vocês homens precisam saber que vê-los em posição de alívio não é nada agradável. Para ver um pinto, é necessário, clima certo, lugar certo e, principalmente, homem certo!

Eu, por exemplo. A primeira que vez que vi um pinto adulto na vida, foi quando, indo para a escola, aos treze anos, dei de cara com um mijão exibicionista no caminho. Não é assim que devia ser, pombas! Noutra ocasião, indo para a faculdade, estou tranqüila e calma no trem, confabulando sobre os dilemas da vida, quando, numa parada de estação, as porta se abrem e surge, bem diante de mim , um velhinho mandando ver na linha do trem. Pensam que ele se comoveu com a minha cara de espanto? Que nada! Continuou sereno, e, claro, sacudiu! Argh! Até entendo as razões higiênicas da sacudida, mas não é lá uma visão muito pitoresca, vocês hão de concordar!

Sei que nem todos os homens são assim tão “exibicionistas”. Há, claro, aqueles que procuram um cantinho bem escondidinho, que não cause constrangimento a ninguém. Tenho alguns amigos que não fazem na rua de jeito nenhum. Seguram numa boa, até encontrarem um banheiro em que possam ir com privacidade. Acontece que nem todo camarada tem esse “se mancol”. Se o problema das torneirinhas soltas é a cervejinha com os amigos, então, pelo menos, arrumem um lugar mais isolado, escondido, para mirar seus bráulios!

Alguns, sentindo-se injustiçados, dirão: “mas não dá pra segurar!” O que ocorre é que, como esse é um hábito antigo por aqui, as mães não estimulam seus filhinhos a segurar a torneirinha, e quando o pequeno solta na rua: “mãe, tô apertado!”, ela responde: “faz ali atrás da árvore, meu filho”, ou então, “vai ali no cantinho”.

Só que com a gente a história era bem outra! Menina educada não faz pipi em público. Então, éramos obrigadas a segurar, guerreiras, ladies , até que nossas mães encontrassem um banheiro em que pudéssemos ir, e considerando o estado deplorável de alguns estabelecimentos, demorava um pouco!

Ainda assim, quero fazer um apelo aos senhores e senhoras que elegemos recentemente. Formulem uma lei que proíba o alívio urinário explícito, ou então, um sistema (amplo e decente) de sanitários públicos.

Os colegas que me julgarem exagerada, acalmem-se. Lembrem-se que lei no Brasil é conselho (infelizmente!): muitos não cumprem e não recebem a devida punição. Mas, pelo menos, quando eu os vir de pinto ao vento, na cara-de-pau, poderei gritar: “Mijão safado! Guarda isso, ou eu chamo a polícia!”

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