sexta-feira, abril 06, 2007

O velho Braga


O velho Braga

Esse senhor na foto foi o maior cronista brasileiro. Rubem Braga era capixaba de nascimento e carioca de coração. Mudou-se pra cá na década de 30 e passou os dias de sua vida até a sua morte escrevendo as melhores crônicas.

Saudosista incorrigível, ele gostava de lembrar da infância em Cachoeiro do Itapemirim, relatando aquilo que o marcou, como um narrador antigo. Verdadeiro contador de causos, Rubem era um hedonista assumido: apreciava uma cerveja com os amigos, as morenas de biquini nas praias cariocas, qualquer coisa que lhe trouxesse prazer.

Seu maior dilema residia exatamente no fato de a modernidade, com seu ritmo acelerado, roubar-lhe o tempo e a oportunidade de experimentar as coisas. Mas ele não se entregava. Em meio à loucura do Rio, do século XX, Braga perseguia tudo aquilo que julgasse belo, sereno, significativo, transformador. Por isso, é possível encontrar a descrição de verdadeiro momentos epifânicos em seus textos.


A experiência que o cronista tanto buscou e necessitou foi compartilhada com seus leitores assíduos, diários. Hoje, podemos apreciá-las em coletâneas como Borboleta Amarela, Ai de ti, Copacabana e Morro do Isolamento.


Rubem Braga dedicou-se inteiramente à crônica, não produzindo nenhum outro gênero literário. Mas o fez tão bem, que possibitou aos estudiosos da área que olhassem a crônica com outros olhos. Ainda bem!

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