sexta-feira, julho 06, 2007

Sgt. Peppers: há 40 anos reinando absoluto

Ontem eu estava lendo a revista Piauí, não sei se conhecem, mas tem textos ótimos e é a patrocinadora oficial do campeonato de ioiô (?!), e fiquei maravilhada com uma matéria sobre o LP "Sargent Peppers Lonely Heart Club Band", dos Beatles, escrita por André Singer para celebrar os 40 anos do disco, completos em 1° de Junho passado.
Eu, que sou eterna beatlemaníaca, desde os tenros 14 aninhos, fiquei estarrecida com tamanha perspicácia e competência na análise e interpretação das músicas, tecidas pelo jornalista. Eu não tinha dúvidas acerca da genialidade musical da banda, especialmente da dupla Lennon/McCartney, mas ontem uma outra face do disco me foi apresentada.
Adolescente, , no afã de entender o que os meus lindinhos diziam, lancei mão do dicionário e encarei a missão apaixonada de traduzir-lhes todas as músicas que me chegassem aos ouvidos. Com minha imaturidade lingüística para o inglês - que melhorou após a tarefa, é verdade - não saquei a profundidade daquelas letras maravilhosas, cuja poesia já me deixava fascinada.
Mas, nessa reportagem, Singer descortinou para mim como os Beatles, ao fingirem ser outra banda, permitiram-se a autocrítica e auto-ironia bem construída (“With a little help from my friends”), bem como a crônica afiada sobre seu tempo: a alienação e o tédio do homem (“Good Morning Good Morning”), a guerra e a rotina capitalista (“A day in the life”), as drogas (“Fixing a hole”).
Paul, com um olhar mais voltado para os sentimentos e dilemas individuais, escreveu “She´s living home” e “When I’m sixty four”; John, imerso num quase-surto psicótico, questionando a realidade e migrando para o sonho, muitas vezes auxiliado pela viagem lisérgica, criou “Lucy in the sky with diamonds”. Eu acrescentaria, ainda, que, na medida em que amadureciam artisticamente, sentiam-se incomodados com a simplicidade de certas músicas que tinham certo apelo comercial, e ao se reinventarem como outra banda, dão asas à criatividade, ousando como nunca, associando o rock à ópera, desgarrando-se de estereótipos, justapondo músicas completamente diferentes num mesmo álbum, superlativando o lirismo sonoro. Sim, sonoro, porque "A day in the life" é um monumento, uma obra de arte musical em que o som diz tanto ou mais que a própria letra.
Toda essa revolução na história do rock, proporcionada por caras com 24-26 anos de idade! Esses jovens que emergiram da modesta Liverpool, faziam música para o povo e foram acolhidos pelos maiores intelectuais do mundo da arte. Os Beatles, como maior referência do mundo pop, lançaram um disco de rock, conceitual e primoroso, iniciaram uma nova era musical, conduziram o público por revelações profundas, escaparam do simplismo comercial, e venderam muito!
Depois da reportagem tão instigante, não tive alternativa a não ser ouvir o disco com "novos ouvidos". E admitir: nada lançado depois de Sgt. Peppers foi capaz de superá-lo. Ele continua reinando invicto no podium da arte musical.
Vocês têm de ouvir pra confirmar - e se render.

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