sexta-feira, novembro 23, 2007

Sim, estou sóbria!

Este fim de semana tive um ótimo domingo, com pessoas muito queridas, muita conversa, risada, diversão, maluquice. Em determinado momento, estávamos gargalhando tão alto (em público) que minha mãe sugeriu: “menos, gente!”. E meu primo respondeu: “e nem estamos bêbados!” De repente, surgiu a proposta de criarmos blusas com slogans nossos, do tipo “Sim, estou sóbria.”, ou “Imagina se eu bebesse!”, mostrando que éramos um grupo divertidíssimo e zero por cento ébrio. Algumas pessoas não acreditam quando digo que não bebo, começam a rir, mandam-me falar sério, perguntam se sou evangélica. Não sou e não entendo o absurdo da minha escolha.
Muita gente presume que, como gosto de me divertir, curto rock, gosto de falar besteira, devo tomar todas, encher todos os potes! Pois não. Consumo bebida alcoólica muito rarissimamente, como um brinde de Ano Novo, ou um vinhozinho pra esquentar, em festa de São João.
Acredito que quase todo mundo, na adolescência, se depara com a fase da descoberta da bebida. Alguns na família mesmo, outros escondidos, com os amigos. As primeiras vezes são sempre desagradáveis, gosto amargo, queimação na garganta. Mas com o tempo, o paladar se acostuma e beber acaba tornando-se um hábito, em geral cultivado socialmente.
Não sei por que cargas d’água não me afinei com a bebida. Beber é algo que não funciona comigo. Primeiro, porque, quando bebo, fico lerda, lesada, parece que meu cérebro funciona mais lentamente, meu raciocínio diminui, emburreço, e eu ODEIO essa sensação. Sou um tanto quanto exigente com minhas atividades mentais, por assim dizer, e detesto não entender as coisas direito ou demorar para tal.
Em segundo lugar, tenho uma gastrite mais persistente que a fé de Jó, e a ingestão de míseros goles de álcool desencadeia em meu interior a explosão de um verdadeiro vulcão clorídrico, que me rende dores nem um pouco agradáveis. Decorrente desse “pequeno” mal-estar gástrico, vem um desarranjo intestinal que me acompanha durante todo o dia seguinte – uma verdadeira “lavagem”.
Soma-se a essas desventuras etílicas uma dificuldade tremenda que tenho em segurar a bexiga, o que já me rendeu “micos” públicos dos quais não gosto de lembrar.
Essas “sutis” situações levaram-me a evitar progressivamente o consumo de álcool, o que não atrapalhou em nada a minha vida. No início, ficava com medo de ser interpretada como anti-social, ou caretona. Mas com o tempo vi o quão besta era a minha preocupação. Ora bolas, se alguém me hostilizasse pela minha abstinência, estaria, na verdade, mostrando-se indigno da minha amizade e despreocupado com o meu bem-estar. Amigos de verdade, que se importassem comigo, não iriam caçoar da minha escolha, mas sim respeitá-la, até porque, boa parte dos amigos que tenho, não conheci bebendo. Acho muito mais imaturo beber porque todo mundo bebe, do que não beber porque me sinto melhor dessa forma. Não estou aqui criticando quem bebe, mas defendendo meu direito de não beber. Sou uma pessoa feliz, amo a minha vida, busco estar cercada de pessoas que me amam, que me divertem e me fazem alegre. Adoro a alegria, a diversão, a palhaçada, a conversa fiada. E, em nenhum desses momentos, sinto falta da bebida.
Se você bebe e não se sente bem, saiba que não tem de fazê-lo. Na verdade, fazer qualquer coisa de que não se gosta, na busca de aceitação, mais que enganar os outros é enganar a si mesmo. Assim sendo, parem de bulir com minha alegre sobriedade! E ao contrário do dito popular, eu fiz vários amigos bebendo leite!

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