terça-feira, maio 27, 2008

12 pétalas, nenhuma flor

gastei o tempo inteiro do mundo
em polinizar esse raio
dei-me em prensa explosiva
pra figurar cintilada:
- cálice rubro e faminto -

deitei seiva
em idílico parto

baldado,

que o perfume verteu-se abjeto
o fascínio, esterelizado
um desperdício de pétalas
em coisa que não se dera

e a morte prematura
de broto ansioso

que não era.

4 comentários:

Salve Jorge disse...

Vendo ali o broto
Roto
Pensou se não faltava água
Terra
Mas pensou que na verdade tudo encerra
Tudo deságua
Então tal carga
Para que arca
Rasgou em abismos
E seria sofismo
Esconder o lirismo
Que um dor faz tremer no suspiro
Talvez seja um delírio
Mas a cor das suas vestes
E do que mais destes
Bem pode ser um colírio
Para ver mais além um mar
Que não ressucita brotos marotos
Mas que continua a oscilar
E lhe chamar
Ah, mar...

Salve Jorge disse...

Estás muito bem informada
Sobre a continuidade
Da história a ser narrada
E sou eu quem agradece
Ires com sua magnificidade
Pros meus lados
Fazer alvorada
Tanto me apetece
Que fico ruborizado
MAs aguarde mais alguns instantes
Que logo falo dos mutantes..

Leandro Jardim disse...

gostei, especialmente do despretensioso belo final :)

beiJardins

blog do dudu santos disse...

Que força!!!Já começa pelo instigante título, vc é poeta!! tem que escrever sempre,sua juventude explodindo imagens metafísicas...parabéns
só para loucos, só para raros
Dudu Santos