quarta-feira, agosto 27, 2008

Do chão da crônica brota a poesia



"(...) é enganoso supor que o livro é que dá qualificação definitiva a qualquer escrito. E a crônica que não haja pago excessivo tributo à frivolidade ou não seja uma simples reportagem, estará sempre a salvo, como obra de pensamento ou de arte, embora não saia nunca das folhas de um periódico" (Afrânio Coutinho. 2002, p.135).

.................................................................

"Foi apenas um instante antes de se abrir um sinal numa esquina, dentro de um grande carro negro, uma figura de mulher que nesse instante me fitou e sorriu com seus grandes olhos de azul límpido e a boca fresca e viva; que depois ainda moveu de leve os lábios como se fosse dizer alguma coisa - e se perdeu, a um arranco do carro, na confusão do tráfego da rua estreita e rápida. Mas foi como se, preso na penumbra da mesma cela eternamente, eu visse uma parede se abrir sobre uma paisagem úmida e brilhante de todos os sonhos de luz. Com vento agitando árvores e derrubando flores, e o mar cantando ao sol" (Rubem Braga)

8 comentários:

Fábio Reoli disse...

Aline, bom dia... você soube me roubar um sorriso nessa manhã ensolarada de quarta-feira... Acredito que pra nós, amantes das letras, a coisa mais gratificante que possa existir é sermos lidos e poder com a imaginação, tornar-me tema de aula, foi uma notícia maravilhosa. Agradeço demais o carinho e ter sido o veículo a me causar esta grande alegria!
Beijo bom em você!

Gabriele Fidalgo disse...

Que lindo!
Muito muito bom ler estas palavras logo cedo, mesmo.
Muito legal o seu blog. Muita poesia e sensibilidade. E ainda é beatlemaníaca? rs Aos domingos eu escrevo sobre eles lá no meu Strawberry Fields.

Obrigada pelo comentário! :)

Beijos!!

Salve Jorge disse...

Fulgaz
Tudo é
Mesmo a fé
Jaz
Como as palavras
Num imaginário
Que não basta um dicionário
Para definir tal vocabulário
Ou a visibilidade
Do que por necessidade
Transpõe a divisória
Entre a mente
E o papel
Vence o campo da memória
E se faz história
Algo que outro alguém sente
Sempre dum jeito diferente
Ao léu
E ninguém mente
Mas é tudo rente
Nesse céu
Sempre um véu
Um vislumbre...

Aline Pergon disse...

Oi, Aline!
O que pode melhor resgatar nossas almas senão uma flor no meio da aridez? rs
Ainda bem que, vez por outra isso acontece!
Pena mm não estarmos fazendo matéria juntas. Mas ainda bem que o 11º é pequeno, e a gente vai se esbarrar sempre por lá :-)
Gostei dos versos. Vou procurar por mais pela net.
Obrigada pelo comentário.
Um bjão!

Juliana Lemos disse...

bom blog, belas poesias.
vc brinca com as palavras. parabéns!

Yara disse...

Um Drummond para a tua flor:

"(...)
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio."

O Profeta disse...

Fecham-se as janelas de poente
Acenderam-se os luzeiros no céu
A cidade desperta para o arraial
Uma noiva procura o perdido véu

Os acordes da Banda no Coreto
Uma tuba marca o compasso
O clarinete dança na calmaria
O Maestro solta gestos no espaço



Bom fim de semana



Mágico beijo

B.I.A.N.C.A Feijó disse...

Olá!

Vim até sua casa através do Fábio, e gostei do que encontrei por aqui!

Ler é tudo de bom!

Beijos!