terça-feira, outubro 28, 2008

vapores


a lentidão eterna do pó suspenso
magnetiza meus olhos rijos,
olhos de concreto:
paredes que me encerram o interno

escuro

na inospitalidade fria e acre
de pulmões em coma
inspirando a sua ausência
expirando o anseio
pela simultaneidade contigo

silêncio simultâneo
presença quente
espaço compartilhado

do buraco que herdei
sorvo vapores
(é o que resta)
vapores da memória

teu rosto na moldura do meu peito

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Imagem: Aquarium - Escultura de fumaça, de Mehmet Ozgut

12 comentários:

Leila Saads disse...

Lindas palavras.
Amores ocultos são tão fumaça, um dia o devaneio acaba.

Beijos!

Delfim peixoto disse...

É sempre bom ler-te
jnh

ana disse...

voltei,

na sequidão de ventres.

Bruna Mitrano disse...

"teu rosto na moldura do meu peito"...incrível como você realmente consegue surpreender a cada poema. Parece que nunca faltam palavras (acho que já disse isso) e que você sabe sempre onde encaixá-las. E outra: mesmo tendo um estilo próprio em construção, você tem uma capacidade de mudar, de fazer algo novo a cada tentativa. Gostei muuuito desse!Beijos, amiga! Ah, voltei..rs

bossa_velha disse...

nossa senhora! adorei o final.

Versos Insensatos disse...

Teus versos são insensatos versos, são bastante reflexivos e profundos, temos uma maneira um pouco compartilhada de escrever...

Thiago A.

e-letrizada disse...

muito boom!! :)

On The Rocks disse...

muito bem!

você escreve com alma.

bj

F. Reoli disse...

Vapores da memória... que se grudam no espelho da história e que nosso dedo insiste em desenhar um "s" de saudade... beijo bom em você!

Bruna Mitrano disse...

Ah, Line, tô bem melhor!;)

Beatrice Jasmin Noire disse...

contigo
as-fixado no peito
ins-piro

Pavitra disse...


um traço azul
é a ferrugem da memória
numa poça em tua alma...

adorei seu poema!