terça-feira, dezembro 02, 2008

As folhas


As folhas estavam lá, como ela desejava e suspeitava. Pousadas na plenitude de um descanso sereno. Folhas imunes à violência e às tragédias pessoais. Folhas cúmplices no contrato da harmonia silente. No interior de cada uma delas, o eco sussurrado do mistério da espera. Elas a esperavam. Estavam preparadas para acolher o peso corporal dessa mulher quente, úmida e aturdida. Ela as procurou, rezando para que estivessem lá, compondo solícitas o pálio de seu renascimento. Ela encontrou as folhas. Chegou arfante, numa correria desequilibrada e quase que se joga. Com o consentimento do destino, que só isso a ela permitira, caminhou cuidadosa por sobre as folhas, iniciando com os pés a melodia ritual da entrega. Sentou-se, deitou. Entregou os ouvidos aos cuidados das folhas, e os olhos molhados ao convite dos galhos acima, que sábios, ofereciam-lhe as alternativas do tempo nos contornos de sua estrutura. Ali, ela poderia crescer.
Não aceitava cair ou se resignar, como suas companheiras, as folhas.

8 comentários:

Bruna Mitrano disse...

Há tanta poesia na sua prosa (prosa poética?)! "Chegou arfante, numa correria desequilibrada e quase que se joga", perfeito isso. Não sei o que você anda lendo, mas continue; a cada texto você surpreende na qualidade.
Outro dia escrevi sobre uma folha lá no blog. Essas tuas fizeram murchar a minha, de tão mais belas..rs
Bjo, menina! Saudade!

On The Rocks disse...

oi aline, estou linkando seu blog no on the rocks.

bj

Salve Jorge disse...

Folhas
E escolhas
QUe como bolhas
Olhas
Passeando do ar
Ao chão
São
O lugar
Onde hão de molhar
Mais que o olhar
A própria
Inspiração...

Line Lily disse...

Realmente assim como nas suas poesias, sua prosa tem ritmo e melodia. Essa em particular vai dando uma vontade de se jogar nas folhas também ^_^
Muito bom ter algo bom para ler na internet e alguém para admirar!
Continue assim, crescendo e não se resignando.

Leandro Jardim disse...

Oi Aline,

adorei a idéia! Fico lisonjeado, será uma orgulho! E a visita à sala de aula para um papo com os alunos eu acho muito bacana!

Quanto a tal compra dos livros, fiquei curioso, há uma verba pra isso? Do contrário, quem com pra: a escola? você? Dependendo podemos pensar numa doação ou algo do gênero... o que me diz?

abraços
Leandro Jardim
lsjardim@hotmail.com
www.florespragasesementes.blogspot.com

Leandro Jardim disse...

Bom, tudo certo, então.

Quanto à compra, veja o que acha melhor. Eu ainda tenho comigo muitos exemplares, adoraria vendê-los, mas acho que não consigo emitir nota fiscal, não sei bem como fazer. Outro caminho é enconmendar com alguma livraria.

Quanto à visita, eu vou com o maior prazer, é só você me explicar direitinho com antecedência como é que eu faço pra chegar lá.

:) beiJardins

Taiyo Omura disse...

lembrei do plano de Lavoura Arcaica, lembra-se?

(entre as folhas, se escondendo, a luz...)

Bram Antareja disse...

eaves in discussing the human // However unwittingly leaves always give meaning to the human // this can be a fertile Earth, because it leaves a year from the tree //The leaves will die and create a fertile ground where we are today // Saudações a partir da cidade de Yogyakarta, na Indonésia //