quarta-feira, abril 29, 2009

da ausência

quando a vida fez-se ouvir
e os matizes verteram intensos
os dedos sossegaram
e a palavra se guardou

não há mistério nisso
ou recusa

há uma beleza quieta
de quem abriu os ouvidos à música
e cantou

as palavras não morreram,
apenas estão descansando
deram espaço às aves selvagens
que com vôo bailado
rabiscam traçado novo

as palavras sempre voltam,
mas precisam de algo pra refletir...


***



Quando estudei a escrita diarística e autobiográfica, li um teórico que dizia que quem vive não tem tempo pra escrever. Não concordo completamente com ele, porque a escrita normalmente nasce de uma reflexão, e esta se dá sobre algum aspecto da vida, não?

Contudo, meus versos nunca foram sobre satisfação e alegria, ou serenidade. Escrevo sobre o que perturba. Sobre aquilo que causa síncopes, aquilo que choca, que desestabiliza. Não sei por quê. É assim que funciono.
Contudo, o momento presente não está me dando matéria poética, porque minha alma está assentada. E quando tento escrever sem reflexão profunda, sai uma coisa pobre e artificial.
Portanto, estou aproveitando esse hiato pra descobrir aspectos novos na vida e, claro, refletir sobre eles.
Também quero desenvolver uma poética menos ritmada, rimada. Sinto que fiquei presa em redondilhas estragadas.
Peço desculpa a todos!
Mas eu volto...

5 comentários:

On The Rocks disse...

aline,

você não precisa pedir desculpas.
escrevemos porque somos inquietos e este mundo cão nos perturba.

não conheço terapia melhor do que a arte de escrever.

fique tranquila e permita sua vida seguindo o seu curso normalmente...

bem, sobre dylan: ele é meu ídolo número 1, mas não o considero um artista cool. por isso ele não entrou na lista.

se você procurar no dicionário o significado da palavra cool, vai encontrar: frio, legal, bacana.

mas no que diz respeito à arte, é mais profundo.

um verdadeiro misto entre estilo de canto, dentro e fora do palco, comportamento, mode de se vertir, elegância (postura), até o caminhar nas ruas conta!!! (rsrs)

obrigado pelo carinho.

bj

Bruna Mitrano disse...

Entendo, amiga. Aproveite esse momento!
E quando não conseguimos escrever porque tudo está verdadeiramente caótico? Esse é meu caso. A dor é tão verdadeira que nem presta pra colocar no papel.

E não acho que vc deveria mudar sua forma de escrita, apesar de saber que vc é exigente.

Mudando de assunto, anota meu novo msn: brunamitrano@hotmail.com. Tenho uma coisa pra te falar.

Bjão, Aline! E não suma da blogosfera!

K. disse...

Querida Aline, gostei muito dos seus escritos.

Também não concordo com isso de que quem vive não tem tempo para escrever. Ora, não há como se limitar o viver de alguém de um jeito ou de outro, quer dizer que o escritor não vive através dos seus escritos?

Por favor, não se desculpe! Mesmo o hiato pode vir a ser frutífero, quem sabe!

Gostei também disso de você querer buscar uma opética menos ritmada, rimada, como você diz. Aprecio bastante uma escrita simples e profunda (pessoalmente nunca fui muito de rimas). Acho que entendi o que você quer dizer, mas o ritmo é bem maior que isso, para mim o ritmo é o envolvimento que a narrativa causa com o leitor, não necessariamente através das palavras escritas e escolhidas para esse fim, o envolvimento é bem maior que as palavras em si. E cada autor tem o seu (acho que é a grande assinatura que se pode ter), acho que é isso que você está falando que quer desenvolver, só não nos deixe fora do processo =)

Vou ficar acompanhando por aqui.

Beijos!

fred disse...

Desculpa?
Ah! Você está de brincadeira, Aline.

"não há mistério nisso
ou recusa


há uma beleza quieta
de quem abriu os ouvidos à música
e cantou"

Como pedir desculpas por escrever uma maravilha dessa?

Beijos

Renata Iannarelli disse...

Que lindo!