sexta-feira, janeiro 20, 2012

O jovem Hemingway em Paris



O escritor norte-americano Ernest Hemingway me conquistou com O velho e o mar. Achei tão bom que emendei uma segunda leitura no instante em que terminei a primeira. O cara tinha classe sem ser excessivo,    dono de um texto enxuto, certeiro. 

Em Paris é uma festa, ele descreve o período em que viveu na capital francesa, antes de se tornar um escritor consagrado. Foi nesse período, a década de 1920, que ele iniciou amizade com Scott Fitzgerald, Miss Gertrude Stein, o poeta Ezra Pound e James Joyce. O livro é uma espécie de autobiografia parcial e descreve seus passeios com a esposa, seu relacionamento com os outros escritores, os passeios pela Cidade Luz, jantares, cafés, férias na Suíça. 

Para mim, o livro tem muitos encantos: o mapeamento de Paris sob a perspectiva de um intelectual que admiro; os babados: quem traiu quem, quem falava mal de quem, que personalidade não batia muito bem; e na narração do ofício de escritor. Hemingway abandonou a carreira de jornalista para se dedicar à escrita literária e se impunha uma rigorosa rotina de trabalho.

É interessante que o autor se descreva como um jovem seguro e centrado, especialmente se considerarmos que ele estava no início da carreira e ainda não gozava de prestígio. A pobreza e o trabalho duro, bem como a convivência com artistas mais experientes, forneceram-lhe uma nova dimensão do humano e uma sensibilidade ímpar para alcançar suas metas de ser um escritor competente e de viver em absoluta fidelidade consigo mesmo. Essa mesma sensibilidade parece ter-lhe dado a exata medida da precariedade humana, levando-o a suicidar-se com um tiro aos 62 anos. A fraqueza e as doenças da velhice não bastaram para um homem que sempre buscou a plenitude.

2 comentários:

Michelle Duarte disse...

Também gosto do Hemingway, mas tenho certo trauma porque tive que ler alguns contos dele no curso de inglês e foi muita piração pro meu cabeção aos 14 anos! Mas valeu a pena! Rs! Conheci seu blog por causa da fofa da Patsy e já adorei.

E simpatizei na hora que vi seu nome por uma história particular de coincidência: uma amiga minha chamada Aline está grávida de sua primeira filhinha, que se chamará Aimée! Rs!

Estarei sempre por aqui pra ler coisas lindas.

Beijão

Paula Sanches disse...

Poxa, que bacana! Estou super ansiosa, rs. (:

Adorei o blog! Irei acompanhá-lo. ^^
Nunca li Hemingway, mas sou apaixonada pela Paris dos anos 20 e por Scott Fitzgerald. Achei interessante o livro Paris é uma festa, vou procurar.