sexta-feira, junho 15, 2012

Em tempos de Rio + 20...

... um poema de Anne Sexton sobre um mundo doente:

Como estava escrito

Terra, terra,
Girando seu carrossel
A caminho da extinção,
Direto às raízes,
Engrossando os oceanos, tal como a molho de carne,
Apodrecendo em suas cavernas,
Você se torna uma latrina.
Suas árvores são cadeiras torcidas
Suas flores gemem para seus espelhos,
E choram para um sol que não usa uma máscara.
Suas nuvens vestem branco,
tentando se tornar freiras
E rezam novenas aos céus.
O céu está amarelo de icterícia,
E suas veias jorram nos rios
Onde os peixes se ajoelham
Para engolir os pêlos e olhos do cordeiro.
No fim das contas, eu diria,
O mundo está sufocando.
E eu, em minha cama a cada noite,
Ouço meus vinte sapatos conversando a respeito.
E a lua,
Sobre sua cobertura escura,
Desce do céu a cada noite
Com a boca rubra e faminta
Para sugar minhas cicatrizes.

tradução minha.

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