segunda-feira, julho 16, 2012

Dois poemas de Anne Sexton

The fury of sunsets

Something
cold is in the air,
an aura of ice
and phlegm.
All day I've built
a lifetime and now
the sun sinks to
undo it.
The horizon bleeds
and sucks its thumb.
goes out of sight.
And I wonder about
this lifetime with myself,
this dream I'm living.
I could eat the sky
like an apple
but I'd rather
ask the first star:
why am I here?
why do I live in this house?
who's responsible?
eh?


A fúria dos ocasos

Algo frio
paira no ar,
uma aura de gelo
e uma apatia.
Construí, o dia inteiro,
uma vida, e agora
o sol afunda
para desfazê-la.
O horizonte sangra
e chupa o dedo.
O pequeno dedão vermelho
sai de vista.
E me pergunto
sobre a vida,
sobre esse sonho que vivo.
Eu poderia comer o céu
como a uma maçã,
mas prefiro perguntar
à estrela primeva:
Por que estou aqui?
Por que moro nessa casa?
Quem é o culpado?
Hein?


Anna Who Was Mad

Anna who was mad,
I have a knife in my armpit.
When I stand on tiptoe I tap out messages.
Am I some sort of infection?
Did I make you go insane?
Did I make the sounds go sour?
Did I tell you to climb out the window?
Forgive. Forgive.
Say not I did.
Say not.
Say.

Speak Mary-words into our pillow.
Take me the gangling twelve-year-old
into your sunken lap.
Whisper like a buttercup.
Eat me. Eat me up like cream pudding.
Take me in.
Take me.
Take.

Give me a report on the condition of my soul.
Give me a complete statement of my actions.
Hand me a jack-in-the-pulpit and let me listen in.
Put me in the stirrups and bring a tour group through.
Number my sins on the grocery list and let me buy.
Did I make you go insane?
Did I turn up your earphone and let a siren drive through?
Did I open the door for the mustached psychiatrist
who dragged you out like a gold cart?
Did I make you go insane?
From the grave write me, Anna!
You are nothing but ashes but nevertheless
pick up the Parker Pen I gave you.
Write me.
Write.


Anna que era louca

Anna que era louca,
Tenho uma faca embaixo do braço.
Quando subo na ponta dos pés, crio mensagens.
Sou um tipo de infecção?
Levei-a à loucura?
Tornei os sons estridentes?
Te mandei subir pela janela?
Perdoe. Perdoe.
Diga que não o fiz.
Diga que não.
Diga.

Reze Ave-Marias em nosso travesseiro.
Leve-me, a desajeitada de doze anos,
Para seu colo fundo.
Sussurre como um doce.
Me coma. Me coma como um pudim de creme.
Leve-me pra dentro.
Leve-me.
Leve.

Dê-me um parecer sobre o estado de minha alma.
Dê-me uma declaração completa de minhas ações.
Dê-me uma flor venenosa e deixe-me ouvir.
Ponha-me em estribos e me traga um grupo de passeio 
Numere meus pecados na lista de compras e deixe-me comprá-los
Levei-a à loucura?
Aumentei o volume de seus fones e deixei uma sirene tocando?
Abri a porta para o psiquiatra bigodudo
Que a levou embora como uma carreta dourada?
Levei-a à loucura?
Escreva-me de seu túmulo, Anna!
Você não passa de cinzas mas, ainda assim,
Pegue a caneta Parker que te dei.
Escreva-me.
Escreva.


tradução minha

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